segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Dissecando - O universo de Grappler Baki






O caminho em busca de ser o mais forte do mundo






Em 2012, depois de cerca de 21 anos de publicação, 3 séries contabilizando um total de 110 volumes, chega ao fim um dos mais tradicionais mangás de luta no Japão, a série BAKI, de Keisuke Itagaki. Foi uma longa e selvagem jornada, mas finalmente chegou ao fim, e claro, como grande fã da série (que só foi começar a lê-la esse ano, por sinal *risos*), não poderia deixar de comentá-la por aqui.

Este post será dividido em 2 partes: Na primeira, apresentarei a série a quem não conhece, ou tem interesse em conhecer, na segunda, tenho como objetivo dissecar esse altamente extenso mangá inteiramente, com minhas impressões a respeito dos vários de seus arcos, personagens, histórias e lutas marcantes, por isso, já avisarei que essa futura parte terá spoilers.

Primeiramente, a quem não conhece, a série surgiu em 1991, pelas mãos de Keisuke Itagaki, nas páginas da Shonen Champion Semanal, uma das revistas semanais de mangás que eu acho que merecia mais reconhecimento, pois foi dela que surgiram icônicas séries, como Black Jack, Akumetsu, entre outros trabalhos de vários autores clássicos. No início, somos apresentados a Baki Hanma, um jovem garoto de 15 anos que tem como objetivo ser um lutador mais forte que seu pai, Yuujiro Hanma, que é conhecido no mundo todo como a criatura mais forte que habita nosso planeta, e durante a sua jornada para ser o mais forte, Baki encontrará dezenas de oponentes praticantes das mais variadas artes marciais possíveis, e com eles, aprenderá muito, para que algum dia, possa superar seu pai (sem falar que além do desejo de superar seu pai, Baki possui outros motivos para isso, dos quais falarei na parte com spoilers).

Antes de qualquer coisa, se você está vindo procurar um mangá de artes marciais realista, já aviso de antemão que esse mangá é GALHOFA PURA. Pense no filme de luta mais trash que você já tenha visto e você terá boa parte das lutas da série. Apesar de alguns conceitos que são, de fato, usados pelos artistas marciais de verdade, as lutas são cheias de movimentos fisicamente impossíveis de serem feitos e cenas que deixam qualquer filme cheio de cenas de ação mentirosamente legais no chinelo.


Itagaki costuma conduzir o mangá num ritmo narrativo bem empolgante que faz, inconscientemente, o leitor ser rápido na leitura, e por isso, acaba sendo uma leitura bem leve e rápida, além é claro, de outro motivo: Baki se foca mais nas cenas de ação e luta do que nas de construção de enredo em si, com várias lutas selvagens e de tirar o fôlego que chegam a ser narradas de uma forma quase que visualmente cinematográfica que podem se extender facilmente por dezenas de páginas e dificilmente duram apenas 1 capítulo. Apesar de não ter a história mais original de todas (apesar de que é narrada de forma bem empolgante), Itagaki faz ótimas lutas, que são o real dom de Itagaki. Se você quer uma história pra surpreender, não leia Baki agora, mas se você quer lutas pra surpreender, é uma das melhores opções que você pode ter para ler agora, e nisso, admiro a sinceridade de Itagaki em se concentrar mais nas lutas, visto que história realmente não é o seu forte.

Além de Baki ser relativamente raso com história, tem a sua pitada trash ao extremo, como eu já disse, não só nas lutas, mas em fatos narrados também, como por exemplo, algumas vezes que somos apresentados aos feitos hercúleos de Yuujiro como certa vez que ele destroça um elefante gigante em pedacinhos usando apenas as mãos, ou uma cena onde ele interrompe um terremoto dando um soco no chão (pra vocês terem uma ideia do nível da galhofa)! Não só nisso, mas algumas explicações bizarras no meio das lutas ou entre arcos, por isso, eu diria que esse mangá é um explícito caso de obra "não questione, apenas aceite" quanto aos absurdos surreais mostrados na série, não tente encontrar uma lógica verossímil aqui.

Keisuke Itagaki possui um estilo artístico bem característico, daqueles que quando você olha um desenho e de cara já reconhece que é dele. Itagaki costuma desenhar personagens extremamente musculosos, e por vezes, com corpos altamente desproporcionais (apesar de que ele desenha cenários bem detalhados e bem-feitos). A arte da série não é do tipo que agrada a todos os olhos e chega a ser bem feia em alguns momentos, mas não por desleixo do autor, mas porque é pra ser feio assim. Eu não conseguiria imaginar Baki continuando a manter a sua identidade abrindo mão de seu característico estilo artístico, que é uma das maiores marcas registradas da série, que demora um bocado de tempo até começar a aparecer no mangá (a mudança na arte, desde o começo da série, onde ela é tosquíssima, é altamente perceptível).

Um dos pontos mais fortes da série, além de suas ótimas e divertidas lutas, são os seus personagens legais. Temos um relativamente grande número de personagens bacanas e distintos. Ainda sobre os personagens, vale ressaltar que a série é um mangá onde o termo "mangá shounen de luta onde os coadjuvantes são mais legais que o protagonista". Não que o próprio Baki seja um personagem ruim, mas pra mim, ele é um tanto "básico" demais, todos os clichês do protagonista de mangá de artes marciais podem ser vistos nele, enquanto ao ver os outros personagens, notamos características fortes em cada um, além, claro de seus estilos distintos de luta. Sempre é divertido nos arcos não focados no Baki, escolher um personagem para ser o seu favorito.

Mas afinal, o que faz Baki ser tão especial assim? Tudo pode ser respondido com apenas 2 palavras: INTENSIDADE e FEROCIDADE. O mangá é uma imensa demonstração de feitos de força e os ferozes combates para decidir quem é o ser mais forte da Terra. Por que os personagens lutam, quais suas razões para partirem em uma jornada em busca de tal título? E é esse conceito que faz o mangá ter esse divertido e cativante estilo único.

A franquia é dividida em 3 séries (ou podemos chamar de partes também, assim como é feito com Jojo's Bizarre Adventure, por exemplo). Em ordem, são elas "Grappler Baki", "New Grappler Baki - Search for our Strongest Hero" e "Hanma Baki - Son of Ogre", juntas, totalizando 110 volumes, além, é claro, dos dois spin-offs da série, chamados "Baki Gaiden - Scarface" (já concluído com 5 volumes) e "Baki Gaiden - Kizuzura", que ainda se encontra em andamento na Champion mensal.

A série tem um grande grupo de fãs, e por seus 21 anos de publicação, foi um dos maiores ícones da Shonen Champion, e ganhou uma adaptação para anime em 48 episódios divididos em 2 temporadas produzido pelo estúdio TAC, mas falarei um pouco mais sobre ela um pouco mais à frente.

Então, agora é hora de comentar (já aviso que conterá spoilers nessa parte) as 3 séries de Baki, uma a uma... e começando, claro por....

GRAPPLER BAKI: 

O início de tudo.





Com 371 capítulos compilados em 42 volumes de 1991 a 1999, a primeira parte de Baki é onde somos apresentados a todo o universo da série e à grande maioria de seus personagens e conceitos, e na minha opinião, é a mais consistente das 3 partes da série, além também, de ser a mais famosa.

Parte da razão de ela ser a mais famosa, provavelmente se deve ao já citado anime que Grappler Baki recebeu no ano de 2001 e, apesar da animação de baixo orçamento, é uma ótima adaptação da série, que pode ser uma boa pedida para os iniciantes nela, além do fato de que ele cobre todos os 42 volumes da parte 1 do mangá de forma bastante fiel e organizada. Pelo fato de a parte 1 de Baki ainda não se encontrar totalmente traduzida na internet, eu recomendaria assistir ao anime e pular para o mangá na parte 2, como muitos naturalmente fazem.

Vale lembrar que o anime exibe a história de forma cronológica diferente da do mangá. Enquanto o mangá já começa com o Baki de 15 anos tendo sua meta de desafiar Yuujiro e lutando na arena dos campeões (arco esse que vai do volume 1 até o 9, no mangá), o anime começa no arco que deu origem a tudo, o arco do Baki de 13 anos, ainda conhecendo o mundo e traçando seus objetivos (que vai do volume 9 ao 20). Essa, na minha opinião, é a maior vantagem da animação sobre a obra original, mas essa cronologia "fora de ordem" não prejudica o fluxo da história no mangá.

A primeira série de Baki é divida em 3 grandes arcos (2 deles já citados, mas comentarei mais detalhadamente agora)...

Baki e a Arena dos campeões



Somos apresentados a um mundo cheio de lutadores que desejam se tornar os mais fortes do mundo. Baki luta com frequência em uma arena abaixo do grande Korakuen, onde só aqueles com coragem podem demonstrar sua força, e lá, Baki se confronta com poderosos exóticos inimigos, além, claro, de sermos apresentados à personalidade travessa de nosso herói e vemos apenas uma pequena (ênfase no "pequena") demonstração da crueldade de Yujiro Hanma, o homem que é mais temido do que guerras nucleares pelos grandes líderes mundiais.



Parte deste arco é composta de um pequeno torneio onde se decidirá quem é o campeão da arena subterrânea, e durante tal torneio, temos bons combates, que apesar de não serem, nem de longe os melhores que a série pode mostrar, divertem bastante e já nos dão uma demonstração leve do que teremos por todo o mangá, até chegarmos ao combate que encerra o arco.... a luta entre Baki Hanma e o cruel e habilidoso cirugião Kureha Shinogi.

Essa é uma das primeiras grandes lutas de Baki durante a série, e a mais intensa deste primeiro arco inicial sem muito de especial e encerra majestosamente o primeiro arco da série (que realmente não tenho muito o que comentar sobre)...

Baki Hanma, 13 anos de idade



O segundo arco de Grappler Baki é um dos meus favoritos de toda a série. Após o final do combate entre Kureha e Baki, somos levados para um grande flashback de 11 volumes que se passa 2 anos antes disso, onde nosso herói era um garoto rebelde, arrogante e indisciplinado passando por uma série de evoluções que definirão o personagem que vimos no começo da série (e o que veremos depois também, claro).



Neste arco, somos apresentados a alguns importantes personagens que auxiliarão Baki em seu caminho, dentre eles, Emi Akezawa, a mãe de Baki, Kaoru Hanayama, o poderoso jovem líder de uma gangue da Yakuza e um dos principais rivais de Baki (e além disso, de longe, um dos meus personagens favoritos da série), o poderoso símio das montanhas, Yashazaru entre outros ótimos personagens.



Além disso, nesse arco é onde vemos os maiores desenvolvimentos de personagem da série, principalmente em seus momentos finais, na primeira luta entre Baki e Yuujiro, onde Baki é massacrado por seu pai, e ainda por cima, vê sua mãe ser cruelmente morta por ele na sua frente. É depois dessa série de eventos que Baki decide lutar pra ser mais poderoso que seu pai, e essa é a maior importância que esse arco teve para o mangá, além de ser um dos mais divertidos da série (pra mim, pelo menos). E após o fim desse arco, nos deparamos com...

O Torneio da Arena Subterrânea




Este, para mim, é o melhor arco da série, além de ser o arco mais importante no quesito "inclusão de personagens", pois a muitos dos personagens aqui apresentados são reaproveitados pelo autor durante a série toda (apesar de que alguns poderiam ter sido melhor aproveitados em arcos futuros).

Parte das melhores lutas da franquia estão presentes nesse arco (menção honrosa para Chiharu Shiba vs. Ian McGregor, Baki vs. Zulu, Doppo vs. Gouki Shibukawa, Garland vs. Jack Hammer, entre outras, além claro, da batalha final do torneio...) repleto de lutas empolgantes repletas do que Baki tem de melhor a nos oferecer: INTENSIDADE! Além, claro de um baita plot-twist uma ótima conclusão que dá um bom gosto na leitura. Mas quem disse que a nossa história acaba aqui? Pois aí vem...



BAKI - SEARCH FOR OUR STRONGEST HERO:
Novas aventuras, novas emoções e muita, mas MUITA adrenalina...


Logo após a conclusão de Grappler Baki, na semana seguinte, nas páginas da Shonen Champion semanal, a série retornava em uma nova fase, que durou 276 capítulos, compilados em 31 volumes que foram publicados entre 1999 e 2005. Ficando praticamente nada atrás de Grappler Baki em qualidade, a série ainda continua cheia de fôlego e já começa chutando a porta na nossa frente em meio à adrenalina. A segunda fase, apesar de por muitíssimo pouco não ser a melhor da série, é a mais empolgante e conta com 3 grandes arcos, que são....

Os prisioneiros mais fortes do mundo

Espalhados pelo mundo, 5 perigosos homens localizados nas maiores prisões de detenção máxima do mundo escapam de suas respectivas celas causando muita destruição enquanto avançam para Tóquio para tentar entender o que significa "derrota" e lutar contra os poderosos guerreiros situados lá, ou seja, Baki e alguns dos personagens que conhecemos na parte anterior (mais precisamente Doppo, Gouki, Retsu, Hanayama e outros personagens menores) em lutas sanguinárias além dos limites das habilidades do ser humano. Não tem como isso não ser, no mínimo, épico, não é mesmo? E esse é o plot do que na minha opinião, é o segundo melhor arco da série toda, e repetindo, perdendo por uma margem MUITO pequena, quase milimétrica para o torneio na arena subterrânea (e curiosamente, é o segundo arco mais longo também, com 18 volumes, ficando atrás só do torneio, que dura 21). 

De todos os arcos de Baki, esse provavelmente é o que tem o melhor início, justamente por já começar bem na ação, que é o que Itagaki sabe fazer de melhor... e pelo fato de as lutas "não terem rédeas" ao contrário das que haviam no arco anterior, sentimos que o autor teve mais liberdade e facilidade para fazê-las serem intensas. É frequente nas lutas desse arco vermos, alternando entre porradaria nua e crua, os personagens apanharem objetos para usar como armas, tais como garrafas de vidro quebradas, pedras e até bancos de praça... ou seja, vale de TUDO nessas lutas, e assim, temos o arco mais sangrento do mangá.

Uma coisa curiosa, que faz esse arco ser bem peculiar, é o fato de que ele foi uma ótima maneira que Itagaki usou para fazer os coadjuvantes do mangá terem seus momentos de glória e temos pouco enfoque no próprio Baki, que luta bem pouco nesse arco e vemos mais evolução dele como garoto, vivendo sua juventude como praticamente todo garoto normal de sua idade, do que como lutador em si. Por causa disso, fomos apresentados ao poder máximo dos amigos de Baki, e graças a isso, tivemos lutas espetaculares durante esse arco... quem que leu e não se lembra do alucinante combate entre Hanayama e Speck (que na minha opinião, seria facilmente parte do top5 das lutas de Baki)?



Apesar do espetacular começo e da ótima condução, esse arco perde um pouco de seu fôlego próximo ao final, e é esse, pra mim, o único fator que o impediu de ser melhor que o Torneio na Arena Subterrânea. Mas após esse arco, temos...

Torneio da China



Sim, amiguinhos... mais um torneio, mas desta vez, somos levados à China, onde alguns dos mais poderosos lutadores do mundo estão presentes (novamente) para um torneio, e entre eles, temos Yuujiro, mostrando sua bestial força contra o maior mestre de Kung-Fu do mundo, Kaku Kaioh (que deu outra das melhores lutas da série, onde vimos dois monstros das artes marciais lutando entre si).

Não tenho muito a comentar sobre esse arco, além de que ele possui ótimas lutas, como de costume na série, e vemos alguns personagens mostrando o ápice de suas forças nelas. E então, somos levados ao último arco da segunda fase do Mangá...

Baki Hanma VS. Muhammad Ali Jr.


É isso aí, o filho do lendário Muhammad Ali dá as caras no mangá. Depois de aparecer durante o torneio na China, o filho do esportista do século desafia Baki para uma luta final, para decidir quem é o mais forte... então, Ali JR. começa a treinar arduamente para enfrentar nosso herói, e para isso tem a ideia de desafiar os amigos do jovem, mas apanha feio para praticamente todos eles na tentativa de descobrir algo sobre o modo de combate de Baki. E então, chega o grande dia da luta, e ela acontece narrada de uma forma quase que cinematográfica, mas a luta em si foi uma vergonha com Ali apanhando de lavada sem nem ter tempo de reação, e assim, terminando esse arco da forma mais broxante possível... ATÉ QUE...


O real propósito deste arco surge: Yuujiro estava lá para assistir a luta de seu filho contra o filho de um velho inimigo seu (é mostrado que Yuujiro e o Ali original já se conheciam no passado), e eis que após a luta, chega o momento que todos estavam esperando... Baki desafia o seu pai para a enfim, batalha final, para a qual ele esteve se preparando durante anos, nos hypando de uma forma monstruosamente absurda para a fase derradeira do mangá...

HANMA BAKI - SON OF OGRE
onde tudo finalmente termina

Enfim, chegamos, a fase final de Baki... com 312 capítulos compilados em 37 volumes publicados entre 2005 e sendo encerrado próximo ao fim de 2012, aquela que poderia ter sido a melhor parte de Baki, acabou sendo a mais decepcionante... não que tenha sido, de fato ruim, mas uma série de fatores acabou fazendo com que Son of Ogre fosse uma decepção em vários momentos.

O maior de todos os defeitos da parte 3 de Baki, é sem dúvidas, e exageradíssima enrolação altamente desnecessária que fez com que sentíssemos a sensação de que a história estava se apenas se arrastando o máximo que podia, o que causou o desgosto de vários fãs da série (eu incluso), além do fato de que tivemos arcos totalmente desnecessários para a trama principal (como o arco de Retsu indo aos Estados Unidos para conhecer os maiores Boxeadores do mundo, que é tão inútil que as scans o pularam, pra se ter uma ideia) e alguns brutais furos de roteiro, como personagens que tiveram suas personalidades alteradas e muito de seu poder ridicularizado pelo próprio autor.

A 3º parte de Baki é divida em 4 arcos (sendo um deles, o já comentado e desnecessário arco de Retsu nos Estados Unidos), sendo eles...

A Fortaleza de Biscuit Oliva


Depois de um mini-arco de treinamento, somos levados para os Estados Unidos, em uma das maiores prisões do mundo, onde Baki se encontra detido. Mas por quê exatamente ele está lá? O motivo é um: ele sequestrou o presidente dos Estados Unidos (que na época era o George W. Bush, que aparece de forma hilária no mangá) para que o pegassem e o levassem até essa prisão, onde está um dos lutadores mais fortes do mundo, Biscuit Oliva (que nos é apresentado na parte 2 de Baki), um prisioneiro cheio de regalias e luxo, e Baki procura desafiá-lo para se sentir mais preparado para a batalha final contra seu pai.

E durante sua estadia lá, além de Oliva, Baki encontra outro poderoso sujeito: ninguém mais, ninguém menos que Che Guevara... sim, o mesmo Che Guevara que nasceu em La Serna e que era revolucionário e tudo mais no nosso mundo... e é por isso, que eu avisei que você não deve procurar lógica nesse mangá recheado de galhofas, lembra? O Che Guevara do mangá é um personagem altamente carismático e divertido, que ajuda em muito para que Baki tenha sua luta contra Oliva (ótima luta, por sinal. Uma das melhores da 3º fase de Baki) e sair da prisão.



É um bom arco, e consegue se impôr bem. Minha única crítica quanto a ele é quanto ao próprio Oliva, que me pareceu um personagem bem diferente do que ele era quando apareceu pela primeira vez na série. Aquela montanha de músculos badass que conhecemos antes não era mais o mesmo cara... não sei como explicar isso, é algo que só lendo dá pra sentir, mas fora isso, este arco é ótimo.

A Ameaça pré-histórica


Novamente, lembra de quando eu falei para não querer encontrar lógica e verossimilhança em Baki? De todos os arcos da série inteira, este é onde essa regra mais se aplica, mas por quê?

Conheça Pickle, um homem das cavernas de 65 milhões de anos atrás (época em que os Dinossauros estavam para ser extintos, e assim, começar a era dos mamíferos reinando a Terra, valendo lembrar), que graças ao miraculoso poder da ciência, foi trazido de volta à vida após ter seu corpo encontrado congelado enquanto lutava com um Dinossauro durante a extinção deles (sim, "fossilizados" igualzinho a aquele fóssil relativamente famoso de dois dinossauros lutando que acharam na Ásia, conhecem? ).

Ok, mas onde o Baki entra nessa história? Simples, acontece que Pickle não é um homem das cavernas qualquer, ele é "apenas" a criatura mais forte que já habitou esse planeta, que matava Tiranossauros usando apenas as mãos (fato esse, que o senhor Itagaki faz questão de nos lembrar exaustivamente a cada meia dúzia de capítulos ou até menos que isso), e é óbvio que o garoto quer lutar contra ele, mas não é apenas ele, os nossos adorados personagens coadjuvantes também querem tirar uma casquinha do Homem Primitivo para medir suas forças, e enquanto Baki treina para desafiar Pickle, alguns de nossos heróis lutam contra ele, mas acabam saindo miseravelmente feridos de suas batalhas, chegando até mesmo a perder partes de seus corpos.



Então, chega o esperado combate entre Baki e a monstruosidade pré-histórica, que desafiando todas as leis da física, acaba sendo umas das mais ferozes lutas do mangá, e ao finalmente ter conhecido um inimigo capaz de derrotá-lo, Pickle reconhece a força do rapaz e passa a respeitá-lo como um ser superior. Apesar dos níveis absurdos de surrealismo e das estruturas narrativas extremamente repetitivas e enrolação até dizer chega, é um bom arco, mas que poderia ter sido muito melhor se não fosse a enrolação indevida. E falando em enrolação, decorrente deste arco, temos o talvez, arco mais desnecessário do mangá inteiro, o já citado arco de Retsu indo aos Estados Unidos para conhecer lutadores de Boxe, pois ao perder sua perna em uma batalha contra Pickle, ele deseja conhecer um estilo onde ele possa depender apenas de suas mãos... e devido a irrelevância disso para a trama principal, irei me abster de comentar mais densamente aqui e partirei logo para o que interessa e o momento que todos nós esperamos...

Pai VS. Filho - A BATALHA FINAL!


E então, se aproxima o grande momento que todos nós esperávamos desde o início do mangá, o combate entre Yuujiro e Baki, que já nos havia sido prometido há um bom tempo. Após um grande preparativo, Pai e filho, sob supervisão do governo e das forças armadas, decidem ter um jantar formal, como gente que não quer nada. E no meio da conversa, Baki decide perguntar porque sua mãe teve de ser morta nas mãos de Yuujiro para que isso acontecesse, e ele se recusa a se responder. Os dois ficam enfurecidos e combate começa repentinamente ali mesmo.



É isso aí, o grande conflito final que todos esperavam finalmente chega, e durante aproximadamente 6 volumes e meio, em exatos 62 capítulos, a longuíssima batalha que se extende por centenas e centenas de páginas de forma intensa e violenta acontece... apesar de algumas pequenas falhas, como a narrativa repetitiva e alguns flashbacks com informações curiosas que interrompe alguns momentos críticos de luta, essa é uma luta para ser lembrada, e apesar de não ser a melhor de todas por causa desses fatores, todo o seu significado compensa isso e faz o leitor vibrar a cada golpe, a cada soco, a cada chute que esses dois monstros trocam enquanto fazem da cidade o seu campo de batalha com centenas de pessoas observando a tudo isso.



E no final... temos a conclusão desse selvagem combate, e então, Yuujiro finalmente reconhece a força de seu filho e abandona o título de ser mais poderoso da Terra, enquanto Baki se abdica da vitória daquela luta, como uma espécie de empate, e isso acaba contruindo uma forte relação de respeito entre eles que é mostrada claramente na página final do mangá, encerrando a longa trilogia da saga de Baki Hanma.

(Ei, você aí que tava descendo o texto só esperando a parte dos spoilers acabar, já pode voltar a ler, ok?)

"Tá, mas e aí, depois disso aí tudo, vale a pena ler?"


Apesar de seus pesares, eu digo que vale sim, não só como entusiasta do gênero e fã da série, mas como leitor de mangá, de forma geral, foi uma obra que me divertiu bastante e me conquistou, mas já deixo bem claro que não é para vir ler a série procurando algo filosófico/psicológico e o cacete a quatro, mas sim procurando algo para se divertir, que isso o mangá provavelmente não falhará em te proporcionar, e é por isso que eu recomendo com louvor a série Baki, e se você que não liga para spoilers, e por algum milagre, conseguiu chegar ao fim desse longuíssimo texto (diria que, certamente, o mais longo da história deste blog até agora), sei que já deve estar convencido a ir atrás da série e fico muito feliz com isso.

19 comentários:

  1. ESSE MANGA E OTIMO MESMO,MAIS EU AINDA NÃO TERMINEI DE LER TODOS OS VOLUMES...(FALTA DE TEMPO) KKKK.

    mais sim e muito bom, e o seu post ficou muito bom também, só fico bem grandinho ne! LOL

    a tambem tenho um blog onde eu to alimentando com um acervo que eu tenho no meu pc, tem so 8 animes por enquanto mais ate final de fevereiro eu quero colocar meus 130 animes que eu tenho aqui no blog pra todos baixarem...

    visita la e ve o que acha... tem ate as musicas dos animes hehe.

    http://soulsotaku.blogspot.com.br/

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  2. nem conhecia essa serie mais depois deste texto com certeza irei procurar

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  3. Muito bom assistir o anime e fiquei bastante interessado no manga gostaria de saber um site que tenha o manga traduzido em português

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  4. Rapaz, onde teu a primeira fase na íntegra? Tava lendo no Manga Fox e tá parado no volume 10! Socorro! Tem em inglês?

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    1. Então, aí complica um pouco... No meu caso, eu forcei um pouco meu Japonês extremamente básico e fui assistindo ao anime junto. Como o anime tem traduzido pela internet, recomendo que o veja, mas não se preocupe, é uma adaptação bem fiel, assim como expliquei no post: Você pode começar vendo os 48 episódios do anime e depois pular pro mangá na parte 2 sem problema nenhum.

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    2. Valeu! Foi mal, só vi hoje, hehe. Um abraço, espero que um dia você retorne com o blog. Cuide-se!

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  5. e a garota que ele estava morando junto o que aconteceu com ela?

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  6. Cara me ajuda por favor,ja vi todas as 2 temporadas do anime,agora so falta o resto,que é somente no manga.Mas não acho em lugar nenhum, da continuação depois do filme,ou seja o manga.Então por favor me digam se voces souberem em que site tem ou se voces acharem,,..,.
    OBRIGADO!!!!!

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    1. http://bakabt.me/details.php?id=131639&page=0 aqui está a segunda série de Baki em torrent. A terceira já é mais complicada de achar, até porque tem alguns "buracos" na tradução e algumas coisas não foram traduzidas e tá espalhado de forma bem desorganizada pela internet... :/

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  7. Voltando no tempo para comentar!
    Vale lembrar que Baki já teve um ova lançado no Brasil em meados de 96, no auge da "invasão anime" pela Rede Manchete. Chegou nas locadoras sem muito barulho com o título de O Último Combate e foi dublado pelos estudios da Audio News, mesmo estudio responsável pela lendária dublagem de Yu Yu Hakusho. O ova fica meio solto e quem não conhece completamente perdido, pois ele cobre uma unica luta do torneio subterrâneo. Mas, ainda assim, é incrivelmente bem produzido e tem algumas das melhores cenas de luta já vistas em uma animação do gênero.
    Ah, e pode ser facilmente encontrado no you tube:

    https://www.youtube.com/watch?v=9FLVHY-4HWk

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  8. Este comentário foi removido pelo autor.

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  9. tive esse tempo todo com medo de começa a ler a 2ºtemporada pq queria acabar grappler baki primeiro mas vc tem razao vo ve o anime e depois comeco a le a 2º temporada do manga

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  10. Muito bom texto cara!
    Comecei a ver alguma coisa no Youtube ai não parei mais.
    No momento estou assistindo o anime e estou no décimo capítulo e confesso que estou viciado!
    Depois do anime irei para o mangá com certeza.

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  11. Bom lembrar q Baki voltou em Baki Dou e essa nova serie esta FANTASTICA. Motobe contra Jack Hammer foi espetacular, top 5 das lutas q li na serie.

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    1. aonde consigo ler Baki dou?

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    2. Baki dou so tem em ingles se nao me engano site da manga Fox ou ainda na Manga Reader

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  12. Gostaria de saber na onde achar o mangá e se tem traduzido pra português? Assisti o anime inteiro mais não​ encontro mangá pra continuar.

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